O médico e suas valises tecnológicas. Autor: Luisa Quintanilha
O
médico e suas valises tecnológicas




Atualmente na Estratégia de Saúde da
Família o médico trabalha em uma equipe multidisciplinar, o que altera a
medicina centrada no médico para aquela centrada no paciente e na comunidade.
Entretanto, por ainda existir muita ênfase no aparato tecnológico, como nos
exames complementares e no conhecimento científico da medicina, ao invés do
enfoque no cuidado e na relação médico-paciente, muitas vezes há dificuldade
entre a integração do cuidado entre os diversos profissionais.
A
visão focada somente na doença ao invés do paciente como um todo prevaleceu por
anos na medicina brasileira e ainda persiste no país, especialmente nas
políticas sanitaristas. Alfenas não é diferente, mesmo com a presença de
diversas ESF que cobrem boa parte da população, ainda há problemas para o
sistema de saúde, e principalmente o médico, visualizar o paciente como um
todo. Muitas vezes indivíduos doentes atendidos pelos profissionais não são
acompanhados após a melhora do quadro, o que mostra problemas na
longitudinalidade do tratamento.
Tudo
isso ocorre pelo foco que há no tratamento apenas da doença, principalmente
utilizando as tecnologias duras e leve-duras, o paciente é examinado, seu
problema físicos são resolvidos com os tratamentos prescritos, porém muitas
vezes não se busca as causas ou consequências para aquele paciente. O médico
deixa de se focar nas tecnologias leves, na relação médico-paciente e no
cuidado integral, não há o diálogo e a comunicação efetiva entre os dois, o que
dificulta a intervenção do médico em um âmbito maior que somente uma possível
patologia e afeta a efetividade da ESF e do cuidado em saúde.
Desse
modo, é necessário que o médico se foque mais no paciente como um todo,
considerando não só possíveis patologias, mas o bem-estar físico, mental e
social de cada um, de tal forma que seja possível realizar a melhora da
qualidade de vida, promoção de saúde e prevenção. Isso pode ser feito através
de um maior enfoque no diálogo entre médico e paciente e em uma boa relação
longitudinal entre os dois. Também deve-se focar na multidisciplinaridade da
equipe de saúde, de modo que o médico não haja sozinho, mas conte com os outros
profissionais para agir naquilo que vai além de suas competências, ao invés de
apenas tratar as patologias e “esquecer” do paciente após.
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